Bloqueio emocional: o que é? E como lidar?

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O bloqueio emocional é um mecanismo de defesa inconsciente e que pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer instante da vida e independentemente da idade. Inclusive, é algo que desperta o que há de mais humano, já que evidencia o quanto não somos completamente racionais ou robóticos. Mesmo quando há essa tentativa de ser.

Assim, esse tipo de situação traz à tona o quanto o controle mental se dá pelas emoções. Muitas vezes, são elas que causam reações inesperadas, espontâneas e até incontroláveis. Sejam positivas, negativas ou neutras.

Bloqueio emocional

Por exemplo, imagine quantas vezes você chegou exausto ao final do dia e percebeu que não havia sido produtivo. Que aquele cansaço todo parecia ser um equívoco, já que você não tinha trabalhado quase nada.

Dessa forma, o bloqueio é uma reação inconsciente e quase instintiva, ligada a proteção do indivíduo, mas que deve ser compreendida para fazer sentido.

Afinal, o que é bloqueio emocional?

A princípio, vamos entender exatamente o que é esse bloqueio. Portanto, trata-se de uma barreira criada de forma inconsciente para evitar dor ou sofrimento no futuro. Para isso, a mente analisa situações e experiências negativas anteriores, pelas quais você já passou, como os relacionamentos amorosos.

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Justamente por isso, é comum que algumas pessoas sejam caracterizadas como “frias” ou “insensíveis”. Quando, na realidade, é apenas um mecanismo natural para evitar o sofrimento.

Neste aspecto, vale dizer que a maioria das pessoas não têm consciência desses bloqueios. Logo, é como se aquele muro que ela tivesse erguido, fizesse parte da personalidade, como algo natural.

Ao mesmo tempo, a criação dessa barreira é totalmente individual. Ou seja, cada sujeito pode ou não desenvolver isso. Mesmo considerando que duas pessoas passaram por situações semelhantes, a forma como elas internalizam aquilo, é completamente distinta.

Dessa forma, temos o inconsciente como algo extremamente poderoso. Mas não quer dizer que o sujeito está completamente imune. Na prática, esse bloqueio impede aquele sofrimento de forma pontual, mas não significa que vai perdurar a vida toda.

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Em muitos casos, observamos pessoas que criam barreiras ao longo da vida, definidas como fortes e poderosas. Até que, um dia, esses bloqueios são quebrados e elas ficam completamente perdidas. Muitas vezes, mal sabem nomear aquilo que estão sentindo ou lidar com a situação de forma saudável.

O principal desafio do bloqueio emocional é a longo prazo. Visto que pode adoecer o indivíduo, causando doenças físicas, como a dispepsia. Principalmente quando esses bloqueios são frequentes.

De quem é a culpa?

Não é incomum procurar um culpado sempre que alguma coisa acontece. Geralmente, há uma tendência em colocar essa carga em outras pessoas.

Inclusive, isso é natural, considerando o quanto as pessoas afetam a nossa vida, causam desgaste emocional e mental, são críticas e causam sofrimento. Afinal, o ser humano não é perfeito.

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Porém, nem sempre essa barreira é criada em função de terceiros.

Em síntese, o cérebro recebe sinais a cada fração de segundo e a sua mente interpreta tudo isso de forma consciente ou inconsciente. Então, há coisas que passam despercebidas, mas que causam algum efeito.

Durante a pandemia do Covid-19, por exemplo, com o isolamento social, muitos precisaram ficar completamente sozinhos e lidar não apenas com a solidão, mas consigo mesmos.

Além disso, novas fraquezas foram notadas e mais questões internas vieram à tona. Assim como medos, anseios e vontades. Tudo isso pode também ser causa para um bloqueio.

Motivações: porque as barreiras acontecem

Entender o motivo de um bloqueio ter ocorrido nem sempre é uma tarefa fácil. Muitas vezes, é preciso passar semanas em um processo de autoconhecimento, com terapia e um profissional qualificado que auxilie neste processo.

Afinal, descobrir isso pode significar reviver e ressignificar aquela dor que você sentiu e da qual fugiu.

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Por isso, também é importante ter cuidado com esses momentos, respeitar seus próprios limites e entender que, às vezes, a calma é a melhor resposta. O foco terapêutico desse processo é trazer bem-estar e liberdade, considerando todas as suas particularidades.

Bloqueio emocional

Dito isso, existem diversos motivos para a ocorrência de um bloqueio emocional. Como:

Situações negativas do passado

O principal motivo do ser humano em desenvolver uma barreira é decorrente de alguma experiência negativa que ocorreu no passado.

Sendo que a interpretação dessa experiência é algo pessoal. Por isso, é importante não se comparar e lembrar que, mesmo que outro tenha passado por algo parecido, a sua interpretação, vivência e impactos, são diferentes.

Logo, é comum que após uma situação ruim, você fique remoendo aquilo, pensando no que poderia ter feito de diferente, reações que poderia ter tido ou coisas que poderia ter falado. Isso contribui com a sensação e com os sentimentos negativos, elevando-os.

Em alguns casos, a situação em si, pode nem ter sido tão traumática ou ruim. Mas o ato de ficar remoendo causa um impacto e um sofrimento mental tão grande, que geram um bloqueio.

Aqui se encaixam as mais diversas situações, desde um evento traumático, como um acidente de carro, até uma queda no meio da escola.

Ansiedade

A ansiedade é caracterizada como uma preocupação excessiva, que traz prejuízos ao indivíduo. O que poucos falam é sobre como esse transtorno altera a percepção e os processos. Inclusive causando um grande sofrimento interno.

Em um episódio ansioso, por exemplo, o sujeito fica remoendo situações e coisas em geral. Geralmente, causa um processo de autocrítica e de negativismo. Ao mesmo tempo, pode provocar um desejo de reparação, mesmo quando isso não é possível.

Então, o bloqueio vem para tentar evitar que todo esse ciclo ocorra novamente, prevenindo novos sofrimentos mentais e emocionais. Entretanto, a verdadeira causa não está sendo tratada.

Portanto, a longo prazo, provoca problemas ainda maiores, pode desencadear mais crises e outras questões.

Rejeição

Uma das principais causas do bloqueio emocional é a rejeição.  

Na medicina, dizemos que o processo de rejeição acontece quando há uma reação interna de repulsa. Ou seja, o seu corpo entende que um tecido/órgãos é uma abominação e que deve ser eliminado.

Trazendo para a questão viva, a rejeição significa que o indivíduo foi menosprezado, desprezado e recusado de alguma maneira. Por uma ou mais pessoas. Isso causa uma ferida profunda, principalmente por desencadear um processo de inadequação.

Em termos simples, você começa a pensar naquilo que “há de errado com você”, para que o outro não queira.

Nessa mesma perspectiva, ocorre um processo de rejeitar a si mesmo, principalmente quando a rejeição do outro é colocada sob condições. Por exemplo, é comum que as crianças sigam exatamente aquilo que os pais querem, sem questionar. Quando começam a crescer e a desenvolver vontades próprias, as brigas internas começam. Seja pelo medo da rejeição ou por acontecer alguma situação.

Quando isso acontece, uma ferida profunda é desenvolvida. Com isso, a criança entende que, se não fizer exatamente o que o outro quer, não será aceita.

Autoestima

A autoestima é um dos fatores mais importantes para a vida, funcionando como regulador e estabilizador geral. Tanto nas relações pessoais, quanto no amor-próprio e nas experiências.   

Quando o indivíduo tem uma autoestima baixa, é comum que fique avaliando tudo de forma negativa, constantemente. Como resultado, passa a ter uma série de medos e bloqueios.

Por exemplo, há o medo constante de ser rejeitado, que pode levar a depressão e isolamento social. Mas também pode desencadear fobias, dependências químicas e afetivas e mais.

Dessa forma, desenvolver confiança para se sentir seguro, evita a formação de um bloqueio emocional, mas isso significa conhecer mais de si mesmo e aprender formas saudáveis de responder aos estímulos.

Em resumo, existem diversas causas para a formação de um bloqueio. Sendo que todas elas envolvem questões pessoais.

Bloqueio emocional: o que isso pode causar na sua vida

O principal efeito do bloqueio são as experiências negativas que não são processadas corretamente e, com isso, continuam fazendo parte do seu presente. Mesmo quando deveriam ser apenas uma história do passado.

Em síntese, dizemos que o bloqueio causa uma repetição daquilo que é ruim, mesmo que de outra forma.

Frequentemente, ao passar por um evento traumático, como o luto, algumas pessoas não vivenciam a situação, tentando evitar os sentimentos e emoções negativas. Assim, dizemos que os sentimentos foram “enterrados”. Ao fazer isso, você desencadeia um bloqueio.

Ao jogar tudo isso para o inconsciente com a perspectiva de não sofrer (lembrando que não é algo consciente), o indivíduo pode desenvolver comportamentos que não sabe explicar ou evitar, mas que prejudicam a qualidade de vida.

Por exemplo, você pode sentir uma tristeza profunda e repentina que não consegue explicar, tem episódios de raiva, solidão e agressividade, medos irracionais e sem um motivo exato.

Isso tudo pode acarretar diversas alterações na vida. Como a tentativa de evitar situações e, com isso, não vive tudo o que poderia viver, crises de ansiedade, perda de interesse, emoções negativas repentinas, etc.

Um exemplo clássico de como o bloqueio pode interferir na vida futura é considerar um sujeito que passou por uma experiência ruim no trabalho. Para evitar que aquilo se repita, ele perde totalmente o interesse em tudo e passa a fazer apenas o básico.

Com isso, não tem nenhuma perspectiva de crescimento, a vida dele vai continuar exatamente igual, os sonhos que ele pode ter no futuro não parecem se concretizar e, muitas vezes, há uma sensação contínua de ser menosprezado.

Vale dizer que isso afeta a autoestima, autoconfiança, provoca um rebaixamento nos sonhos e interesses, pode elevar as discussões e conflitos, etc.

Sugestões: o poder do outro

Para finalizar este tópico, é importante considerar como as sugestões de outras pessoas podem impactar na forma como vivemos e avaliamos as situações.

Entretanto, nem sempre essas sugestões são percebidas como invasoras/agressivas, e podem passar como uma simples opinião, uma “dica”. Quando, na verdade, é uma forma de ataque.

Neste mesmo aspecto, é comum que muitos cheguem até o consultório do terapeuta sem saber exatamente quando ou porque aquele bloqueio começou. A partir das sessões, descobrem o peso das figuras de autoridade. Sejam pais e responsáveis, professores e outros.

A questão, é que os ensinamentos dados às crianças, nas primeiras fases da vida, quando toda a personalidade ainda está em formação, bem como os valores e preconceitos, tem um impacto profundo na vida adulta.

Assim, muitos ouvem essas sugestões e as aceitam de alguma maneira, internalizando-a.

Da mesma forma, cresce a preocupação profissional em relação às mídias sociais e a forma como causam bloqueios ou mesmo contribuem com o desenvolvimento de transtornos.

Essas mídias se tornaram parte da vida humana, contribuindo de forma positiva e negativa. Inclusive, em relação ao suicídio. Seja de forma direta, quando há bullying, ou de forma indireta, quando o indivíduo se sente inadequado.

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Pensando no aspecto sugestivo, as mídias conseguem definir tendências, definir o que é certo ou errado, o que é esperado, como deveria ser a vida e o comportamento e muito mais. Sendo que a maioria dessas coisas só são possíveis através de uma tela, em uma pequena fração da vida.

Como lidar com o bloqueio emocional?

Em algum momento é difícil entender quais os bloqueios emocionais estão prejudicando, mas há algumas coisas que podem ajudar. Lidar com o bloqueio não é nada fácil, já que muitas vezes contribui com o desenvolvimento de medos e comportamentos que você mal percebe que possui, assim é importante desenvolver inteligência emocional.

Então, via de regra, é preciso entender qual é o seu bloqueio e como ele impacta na sua vida comum. Para isso, é preciso investir em um processo de análise e autoconhecimento. Logo, é essencial iniciar um processo terapêutico.

Dessa forma, você terá um ambiente seguro para trabalhar as questões internas. Totalmente livre de julgamentos e com uma perspectiva profissional, pensada para o seu bem-estar.

Assim, é indicado um processo de avaliação das emoções e situações, perspectivas sobre o motivo daquele bloqueio e resolução da questão inconsciente. É importante destacar que, muitos dos bloqueios são resultados de traumas.

Então, considere um profissional realmente qualificado para atender e oferecer o acolhimento que você precisa para entender aquela situação e passar por ela. Afinal, os amigos e familiares podem oferecer suporte, mas não possuem ferramentas capazes de auxiliar no processo de cura.

Se você tem um bloqueio ou sente que algo está impedindo de alcançar o seu potencial, procure agora um psicólogo que se adéque às suas necessidades e agende a sua sessão. O primeiro passo é aquele que vai mudar tudo!

Felipe Laccelva

Felipe Laccelva

Psicólogo formado há mais de dez anos, fundador e CEO da Fepo. Fascinado pela Abordagem Centrada na Pessoa, que tem a empatia como eixo central para transformar o ser humano. Sempre buscou levar a psicologia para mais pessoas e dessa forma criar um mundo mais saudável e acolhedor.

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