Empatia – A capacidade de estar realmente presente

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A palavra empatia teve sua dominação em 1909, vindo diretamente do alemão. Basicamente, o termo original significava algo como “sentir-se em” e, quando chegou na língua inglesa, foi traduzida como “empathy”.

Entretanto, muito antes disso, a palavra foi usada de forma estética para se referir a relação entre artista e expectador. Mais especificamente a maneira como a obra de arte é projetada.

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Neste aspecto, dois nomes importantes surgiram para afirmar e fazer nascer todo o conceito como conhecemos hoje: Theodor Lipps e Adam Smith.

A partir disso, é interessante conhecer os exemplos, sentimentos atrelados a isso, porque é realmente tão importante para a vivência (e sobrevivência) humana, dentre outros detalhes.

O que é empatia? Exemplos

Ao pesquisarmos o significado de empatia, o dicionário aponta dois significados para o substantivo, sendo eles:

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  • Capacidade de compreender emocionalmente uma coisa, como uma foto ou objeto;
  • Capacidade de se identificar com outros indivíduos, sentindo aquilo que eles sentem ou querem, ou o mais próximo disso.

É importante destacar que não é possível sentir ou querer exatamente o que o outro quer, por isso depender de uma série de experiências anteriores, ambiente e momento. Afinal, cada indivíduo é único.

Suponha que você e outra pessoa tenham sofrido um acidente de trânsito. Cada um vai interpretar e passar por aquela situação de uma maneira, podem sentir coisas diferentes e até sofrer com isso de formas distintas a longo prazo. Entretanto, ainda é possível ter uma ideia dos sentimentos do outro, referente a preocupação, medo, incertezas futuras e mais.

Esse é o ponto crucial onde a empatia acontece: essa capacidade de sentir e colocar-se no lugar do outro.

Na psicologia, a empatia é caracterizada como uma habilidade socioemocional no qual o sujeito consegue entender e experimentar de maneira racional e objetiva. O resultado é uma compreensão das situações, emoções e sentimentos.

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Vale destacar ainda que a empatia é caracterizada como uma inteligência emocional e dividida em: cognitiva, referente a capacidade de compreender uma perspectiva psicológica de terceiros; e afetiva, referente a sua capacidade de experimentar as emoções de terceiros pela observação.

Componentes

A empatia possui três componentes gerais: cognição, afetivo e regulador de emoções.

Desse modo, a cognição é o processo de adquirir algum conhecimento, a percepção e mais. Ou seja, uma função psicológica no qual o aprendizado acontece, tanto intelectual quanto emocionalmente.

Todos os seres humanos possuem essa cognição, que podem sofrer alterações e que é construído gradualmente. Essa evolução acontece conforme o desenvolvimento natural da inteligência. Passando pela memória, aprendizagem, atenção, vigilância e mais.

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Já o afetivo é referente a afetividade ou aos sentimentos. Para facilitar, se refere a fenômenos como paixão, tendências, emoções e outras, que fazem parte da força do indivíduo.

Em síntese, são eventos psíquicos vivenciados a partir desses sentimentos.

Enfim, o regulador de emoções é a sua capacidade para compreender como reage emocionalmente as situações. Além disso, é a forma como sente o que é real ou não. Esse regulador também funciona como um termômetro evitando o excesso do que é negativo, controlando a intensidade das coisas.

Através desse regulador, você consegue lidar com o grau de respostas.

Exemplos de Empatia

Os exemplos de ser uma pessoa empática vão além de compreender os sentimentos do outro, ainda que essa seja a base do conceito. Neste ponto, existem alguns exemplos que apresentam as possibilidades.

Inclusive, se você está passando por um momento delicado e sente que não consegue arcar com tudo, procure um profissional. O quanto antes iniciar esse autocuidado, mais rapidamente terá sua rotina funcionando como deveria.

Buscando a perspectiva do outro

Entender a perspectiva do outro não é entender exatamente o que ele está sentindo, mas a forma como ele observa determinada situação.

Suponha que você e um amigo estejam conversando sobre o trabalho e ele diz que você tem o “emprego dos sonhos”. Mas você não se sente dessa maneira.

A empatia aqui significa entender o que ele vê de bom no seu trabalho, que talvez o dele tenha características “piores” que o seu (na visão dele), que você faz algo que ele sempre sonhou, etc.

Estar disponível

Uma forma de ser empático é entender que nem sempre dá para entender o outro ou mesmo ajudar de alguma maneira. Em geral, basta estar disponível caso o outro precise de alguma coisa (e te procure).

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Por exemplo, se uma amiga sua acabou de ter um filho e está sobrecarregada com casa, trabalho, filho, pet, etc. Você pode não entender a situação, mas pode ajudar lavando uma louça, ficando com a criança enquanto ela toma um banho ou mesmo levando a comida, deixando-a falar sobre o assunto.

Reconhecimento de emoções

O reconhecimento das emoções acontece de diferentes maneiras e observando uma série de coisas. Envolvendo a razão, lógica, sentimentos e emoções.

Por exemplo, você tem notado que um colega de trabalho parece pronto “para explodir” a qualquer instante. Sempre de mau-humor, estressado, irritado, com uma sobrecarga e esgotado mentalmente.

Esse processo, de reconhecer as emoções que ela está sentindo, é empatia. Sendo através disso que você vai evitar mais estressores e ver como pode ajudar.

Escuta ativa

A escuta ativa é uma das formas mais básicas de empatia, mas muitas vezes difíceis de serem efetivas.

Então, não se trata apenas de ouvir, mas de realmente se ater ao que está sendo falado, a forma como é falado e o que não está sendo dito (que fica nas entrelinhas).

Por exemplo, quando alguém está falando, observe tudo: as palavras, entonação, atenção a determinados detalhes, o que ela está tentando fazer você entender, etc.

Você poderá notar que eles podem pensar ou não o mesmo que você, mas possuem um pensamento sobre aquilo. Ao mesmo tempo, se comunique de forma efetiva: clara e coesa.

Backgrounds diferentes

Os backgrounds se referem a individualidade de cada um.

Em outras palavras, mesmo que você reconheça similaridades com os sentimentos e situações, cada um é diferente e único. Inclusive, lembre-se que pegamos aquilo que é “nosso, e da nossa história” para entender o outro.

Por exemplo se você começou trabalhar aos 16 anos. Pode se sentir desconfortável em ver seu irmão, de 20 anos, que ainda não trabalha e já tem um carro (dado pelos seus pais).

A empatia é tentar entender a perspectiva daquele, saber se faria o mesmo na mesma situação ou as chances/tempos foram diferentes.

O mesmo vale para aqueles que sofrem um acidente de trânsito: um deles pode assustar e se recuperar em um dia, o outro pode passar meses sem conseguir entrar em um carro.

Quais são os sentimentos da empatia?

Os sentimentos da empatia podem sofrer variações conforme o tipo que está sendo abordado (considerando os três componentes: cognitivo, emocional e regulador).

Em suma, a empatia cognitiva é mais comum nos educadores e comunicadores, para transmitir o ensino. Enquanto a emocional é quando há um sentimento/emoção em relação ao outro, por exemplo.

Neste aspecto, os principais sentimentos aqui incluem:

  • Afeto;
  • Compaixão;
  • Afeto;
  • Confiança.

Porém, muitos outros sentimentos podem surgir dependendo da situação, do que está acontecendo e sendo falado naquele instante.

Assim, você pode sentir raiva, medo, angústia, aversão e tristeza junto com o outro. Bem como ficando surpresa, com esperança, hostil, amor e assim por diante.

Os sentimentos são aspectos do indivíduo que podem surgir de forma confusa e até mista. Em alguns casos, leva tempo para organizar tudo mentalmente, entender e compreender os impactos.

Dessa forma, o atendimento terapêutico pode auxiliar nessa visão das coisas, reduzir a pressão e garantir um local seguro para falar e expor pensamentos.

Por que a empatia é tão importante?

A empatia, muitas vezes, é confundida com ser simpático ou ter compaixão pelos demais, mas não é exatamente isso. Ainda que esses sentimentos possam surgir.

Em suma, ser simpático se refere a forma como você trata os demais naturalmente, sem forçar nenhum tipo de ação. Algo bastante comum na área comercial.

Por outro lado, empatia tem relação com a compreensão, com a habilidade de tentar se colocar no lugar do outro sem julgamentos, respeitando os sentimentos e percepções.

Claro que a simpatia é algo agradável. Mas isso não quer dizer que ser simpático faz com que o outro entenda.

Para vivermos em sociedade, a empatia permite uma compreensão das coisas que estão acontecendo em simultâneo, analisando as coisas enquanto elas acontecem, evitando má interpretações e conflitos.

Isso não significa que você seja responsável pelas emoções dos outros, mas que possui a habilidade de entender, interpretar e enfrentar possíveis obstáculos que possam aparecer no caminho.

No trabalho, por exemplo, a empatia evita que você entre em brigas desnecessárias, respeite o caminho dos demais e o seu, consiga ser claro e fornece o auxilio que seus colegas precisam, etc.

Tudo isso contribui com a criação de conexões de valor, reduz o estresse, melhora as relações interpessoais, fortalece a autoconfiança e facilita todo o equilíbrio humano.

Na sobrevivência da raça humana, é essa empatia que permite a compreensão das dores, respeita o espaço, bem como colabora com todo o desenvolvimento, inclusive evitando ações fraudulentas.

Imagine que você não tem empatia por um colega que está sempre conquistando mais coisas pessoais e profissionais.

Além de não entender, isso resulta em estresse, raiva, angústia, frustração e outros sentimentos negativos que prejudicam você.

Pensando em saúde mental, a empatia melhora suas relações, fortalece sua autoestima, melhora softskils, como liderança, reduz o estresse e melhora a sensação de bem-estar.

Ao mesmo tempo, evita uma série de problemas. Como conflitos sem motivos reais, a toma de decisão se torna mais efetiva, você avaliará melhor as coisas e impulsiona a visão de longo prazo.

É possível ensinar empatia a uma pessoa?

Ao final, chegamos à questão do ensino sobre empatia. Esse tema é bastante comum nas escolas, mas é ensinado de forma “amena”, sem dizer tudo de forma clara.

Por exemplo, imagine quantas vezes os professores dizem para que os alunos tendem “entender o outro”, dividam os brinquedos ou auxiliem nas dificuldades.

Dessa maneira, Theodor Lipps aponta o ato de ser empático como uma categoria básica da psicologia e sociologia. Logo, desempenha um papel indispensável na forma como as coisas são percebidos.

Ao mesmo tempo, Lipps destaca sobre a empatia como uma referência básica de si e da própria condição.

Em outras palavras, é sendo empático que mais coisas são observadas, projetando experiências. Com isso, também entra a questão filosófica da palavra, onde empatia significa viver, estar presente e, de modo imaginativo, ter sua consciência sobre o outro.

Já por Adam Smith, chegamos filosofia moral do tema. Segundo ele, essa moralidade se refere ao ato de trocar de lugar com aquele que sofre na sua imaginação.

Ao mesmo tempo, fala da dificuldade de fazer isso na vida em sociedade, principalmente se considerarmos o individualismo (que está cada vez mais em alta).

Retornando ao tópico principal…

É possível ensinar e aprender empatia, mas o processo é contínuo, longo e exige estar disposto a essa mudança.

Inicialmente, o foco está em colocar as respostas empáticas como “prioridade”. Um exercício diário que pode ser praticado em todos os ambientes.

Ou seja, comece a realmente ouvir os demais (escuta ativa), evite julgamentos, respeite o que o outro diz e forma como se sente, bem como entenda a singularidade. Cada um vivência uma coisa baseado em suas próprias experiências.

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Além disso, busque visualizar a situação a partir da visão do outro, e não da sua.

Se você nunca passou fome na vida, pode ser difícil entender sobre o tema. Mas tente refletir sobre aquilo que ele diz, a forma como fala, as dores associadas ao tema, traumas que isso pode ter gerado.

Inclusive, foque em um processo de aprender a reconhecer emoções, tanto as de si quanto a dos demais.

Existem algumas obras que podem auxiliar neste processo, como:

  • Comunicação assertiva;
  • A coração de ser imperfeito;
  • O poder da empatia;
  • Empatia assertiva;
  • Inteligência Emocional, etc.

Psicologicamente, o ensino da empatia se dá através do exemplo. Então, seja alguém empático e disposto a errar/aprender, cerque-se de pessoas que também praticam essas ações e fique atento ao que externaliza.

Estar disposto a ouvir, falar de forma clara e com uma comunicação não-violenta, muda a maneira como o mundo te entende e como é percebido pelos demais.

Inteligência emocional é colocar no lugar o ambiente de trabalho

Muitas organizações focam no erro da pessoa e não consideram os seus pontos de vista para compreender a situação e assim se perde conteúdo e informação valiosa para a gestão de pessoas, o que compromete a qualidade de vida dos funcionários. Na prática, a empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e quando isso não ocorre dentro da empresa, os relacionamentos são afetados, bem como a saúde emocional, dada a sua importância.

Enfim, comece esse processo de autoconhecimento e autocuidado para se tornar a sua melhor versão com a Fepo e aproveite para conferir os demais posts aqui.

Felipe Laccelva

Felipe Laccelva

Psicólogo formado há mais de dez anos, fundador e CEO da Fepo. Fascinado pela Abordagem Centrada na Pessoa, que tem a empatia como eixo central para transformar o ser humano. Sempre buscou levar a psicologia para mais pessoas e dessa forma criar um mundo mais saudável e acolhedor.

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