Violência contra mulher: Conheça os tipos, causas e o ciclo

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A Violência contra Mulher é um tema essencial, que precisa ser cada vez mais difundido entre todas as culturas e sociedades.

Inclusive, é através dessa disseminação que uma série de mitos, dificuldades e questões são esclarecidas, trazendo à tona a resolução e ainda garantindo que mais mulheres tenham uma vida digna. Afinal, há situações em que as próprias mulheres não sabem que estão vivendo um tipo de violência.

Violência contra mulher

Dessa forma, o objetivo Fepo desse post é apresentar a você a definição e os tipos de violências, as principais causas e, principalmente, como dar o primeiro passo para sair dessa situação o quanto antes.

Boa leitura!

Um breve resumo da história

A violência contra mulher é um tema antigo, mas que ganhou força nos últimos anos, principalmente com o advento da tecnologia, que facilitou o acesso à informação.

Primeiramente, vamos conhecer alguns pontos valiosos da história que formam um parâmetro do que vemos hoje.

De acordo com o Arquivo Público do Estado de São Paulo, a década de 80 teve um papel importantíssimo nisso tudo. Naqueles anos, o público feminino se mobilizou diante de tantas histórias de violência, dando o primeiro passo para a criação de políticas públicas fortes.

Simultaneamente, é válido destacar que essa violência é um tema antigo, com raízes profundas. Não à toa, há uma série de histórias antigas que demonstram isso. Então, a desconstrução é um processo que, ainda hoje, está em ação.

Aqui, é importante falarmos duas coisas:

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  • Na década de 40, a violência doméstica já foi vista como um problema;
  • Apenas em 1985 que a primeira Delegacia da Mulher de SP oi criada.

Entretanto, mesmo um dos maiores marcos foi a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) em 2006.

Vale dizer que, em todos os casos, você deve procurar auxílio psicológico para resgatar sua força, autoconfiança e autoestima.

Como se define a violência contra mulher?

Agora, vamos a definição. Antes de mais nada, o termo deriva de “violentia”, do latim, e significa uma violação dos direitos, impetuosidade ou uma falta de respeito/limites para com o outro envolvendo algum nível de agressividade, ação, pressão psicológica, intimidação e mais.  

Com isso, a definição de violência contra mulher conforme a Convenção de Belém do Pará é:

(…)qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado.”

Essa definição é extremamente necessária para englobar as mais diversas agressões. Até por aquelas que, diante de determinados cenários, possam ser sutis.

Dessa forma, a maioria dos casos ocorre em casa, sendo caracterizado como violência doméstica. Ou seja, o local onde a mulher deveria se sentir segura, é também onde ocorrem milhares de agressões, por aqueles que deveriam ser um “companheiro (a)”.

Assim, para compreender o conceito todo de violência, você precisa entender que não se limita a um local ou situação. Portanto é qualquer ação que lhe cause um dano em decorrência do gênero.

Por exemplo, nas empresas, milhares de mulheres são vítimas de violências todos os dias. Desde aquelas que são coagidas a atividade sexuais, importunações, insinuações e até a não contratação decorrente do gênero ou de alguma “imposição”.

Aqui, vale destacar o filme “O Escândalo”. Após o lançamento, uma das atrizes, Margot Robbie, falou sobre o processo de descobrir o que era um assédio sexual com o roteiro.

Como a atriz, milhares de mulheres não veem que as “investidas não correspondidas” como um assédio, mesmo aquelas que não há um contato físico. Por ser uma temática ampla, abaixo vamos categorizar melhor esses tipos/variações.

Quais são os tipos de violência?

Os tipos de violência contra mulher são variados e, cada um deles, possuem alguns aspectos importantes. Inclusive, é através dessas definições que podemos recorrer a justiça, ir até uma Delegacia para a realização de um boletim de ocorrência ou mesmo compreender melhor aquilo que lhe aconteceu.

Dessa forma, a página da Coordenadoria da Mulher define 5 tipos principais:

Violência Física

A violência física é definida como um tipo visual de agressão.

Portanto, é entendida como as condutas que afetam a integridade e/ou saúde corporal, física, da mulher. Desse modo, há o uso de força física ou uso de armas, objetos ou acessórios que machuca a vítima.

Neste cenário, são agressões mais “clássicas” e conhecidas. Como socos, tapas, chutes, queimaduras, mutilações, cortes, etc. Inclui-se aqui aquele tipo de violência no qual corta-se o cabelo da mulher sem autorização da mesma.

Violência contra mulher

Violência Psicológica

A violência psicológica ganhou notoriedade, principalmente, após casos ocorrerem em rede nacional, bem como pelo pronunciamento de figuras famosas. Além disso, é um dos tipos extensos.

Em resumo, a violência psicológica é toda e qualquer conduta que cause algum tipo de dano emocional ou psíquico. Como comportamentos/ações que inferiorizem a autoestima da mulher, confiança, felicidade, etc.

Não categorizada como uma agressão visual, essa violência envolve uma série de questões distintas. Como impedir que a mulher trabalhe ou estude, que ela saia de casa ou fale com determinadas pessoas.

Comumente, há mulheres que são afastadas de familiares e amigos, sendo um método clássico para bloquear todos os suportes que essa mulher possa ter. Simultaneamente, é a imposição de crenças e decisões, ameaças, constrangimentos, manipulações, humilhações e outras.

A violência psicológica é uma das mais amplas, podendo ocorrer de diversas maneiras, nos mais variados momentos. Muitas vezes, juntamente com outros tipos de violência.

Violência Sexual

A violência contra mulher sexual é categorizada como visual por estar baseada em uma desigualdade entre os gêneros.

Essa desigualdade de refere, frequentemente, a uma superioridade do masculino em relação ao feminino. Entretanto, todas as violências podem ocorrer em relacionamentos homoafetivos, sendo indispensável colocar isso em pauta, para evitar que seja “mascarado”.

Assim, essa violência se refere a todas as condutas que constranjam a mulher a presenciar, manter ou fazer parte de uma atividade sexual não desejada. Nesses casos, a mulher pode ou não dizer a palavra “não”.

Muitas vezes, a mulher é explorada sexualmente através de violências físicas e/ou psicológicas, intimidação, coação, uso de força, etc. Podendo acontecer no âmbito “do lar” ou não.

Nesse tipo de violência se encaixam relações sexuais, prostituição, uso ou não-uso de anticoncepcionais, assédio sexual, realização de abortos, entre outras. Em síntese, é qualquer indução de usar ou comercializar a sexualidade da mulher.

Importante: a mulher que se sente coagida a fazer relações sexuais com o namorado/marido também é caracterizado como violência sexual. Geralmente, esses parceiros ameaçam de términos ou traições se a vítima não ceder, categorizando uma violência psicológica/emocional.

Violência Patrimonial

A violência patrimonial é um dos tipos menos falados nas grandes mídias, ainda que ocorra com regularidade.

Categorizada como visual-material, esse tipo de violência envolve qualquer tipo de retenção, subtração ou mesmo destruição (parcial/total) de objetos, instrumentos de trabalho, documentos, bens, recursos econômicos e outros.

Vale dizer que não importa se esses bens são apenas da mulher ou não e, geralmente, ocorre ou é notada com o divórcio.

Por exemplo, na maioria dos casos, vemos que a violência envolve destruição de roupas e maquiagens, retenção de recursos econômicos, com cartões, quebra de celular e outros. Mas também envolve a destruição da casa (seja dos dois ou não), de carros/motos, joias e assim por diante.

Frequentemente, esse tipo de violência é uma maneira de coagir e “prender” a vítima ao agressor, tornando-a dependente e inferiorizando-a. Com isso, acaba com a independência da mulher e, muitas vezes, é invisível. Além disso, há situações em que é “maquiada de carinho”, como o “não precisa trabalhar, darei tudo o que você precisa” ou “deixa que eu cuido do seu dinheiro” – até você notar que todas as suas economias foram sugadas.

Violência Moral

Por fim, a violência moral é aquela que envolve afetar a moral da mulher, como:

  • Calúnia: afirmações falsas alegando que a mulher cometeu algum crime, como dizer que ela furtou algo;  
  • Difamação: afirmações danosas em relação a reputação, como dizer que a mulher se prostitui ou exposição de aspectos/imagens íntimas;
  • Injuria: tudo aquilo que ofende a dignidade, como xingamentos, exposições de aspectos pessoais, e mais.

Ainda que existam esses tipos de violência contra mulher, é comum que elas ocorram em conjunto, com duas ou mais variações. Logo, pode haver uma que “se destaque” e outras que são mais “encobertas ou disfarçadas”.

Quais são as principais causas da violência?

Quando falamos em causas da violência contra mulher, é necessário se ater a uma questão: nada disso é uma “desculpa” para tal. Ou seja, encontrar essas causas é uma maneira de preveni-las.

A partir disso, o Portal da Segurança Pública aponta uma série de questões históricas, como a desigualdade social.

Entretanto, a grande causa destacada no portal TJDFT é o machismo estrutural.

Esse conceito se refere a “construção, organização, disposição e ordem “(…) que sustentem à dominação patriarcal, enaltecendo os valores constituídos como masculinos em direitos e desproporcional detrimento dos valores”.

Em resumo, é colocar o masculino acima do feminino. Com isso, a mulher é deixada em uma posição de objeto, de inferioridade e que “serve” para o prazer ou uso do homem. Lembrando que esse conceito pode ser incorporado socialmente e realizado por mulheres.

Por exemplo, quando você fala para uma mulher que ela não é obrigada a fazer atividades sexuais com o marido e ela responde que “aquilo é normal no casamento”, “que se ela não fizer ele vai procurar fora de casa” ou “que é só esperar por que acaba rapidamente”.

O mais importante aqui é destacar que essas violências não são, em nenhuma ocasião, culpa da vítima. Se você passa por isso ou conhece alguém, incentive-o fazer terapia, para começar a entender a raiz da situação.

Ciclo da Violência Contra Mulher, a busca por ajuda e outros aspectos

Ao final desse post, vamos apresentar alguns pontos essenciais sobre a violência contra mulher, como o ciclo da violência, o processo de buscar ajuda, como notar os primeiros sinais de alerta. Confira!

Ciclo da Violência Contra Mulher

O ciclo de violência contra mulher é destacado no relacionamento abusivo e no gaslighting. De forma resumida, temos:

  • Lua de Mel: onde tudo são “flores”;
  • Fase de promessas e amor;
  • Início das ameaças, ordens e isolamento;
  • A tensão se acumula;
  • O agressor transmite medo, controle e autoridade;
  • Explosões com violências de quaisquer tipos;
  • O agressor se desculpa por tudo ou coloca a culpa de tudo na vítima;
  • Redução das brigas/agressões; 
  • Retorno para a fase da lua de mel. 

Esse ciclo deixa a mulher confusa, é comum que a sociedade só veja as fases “boas” e há um medo constante de que as fases de amor sejam substituídas. Esse ciclo é constante, mesmo com pequenas variações para cada caso.

Quais são os primeiros sinais de alerta?

Os primeiros sinais de alerta são aqueles em que a mulher se sente intimidada ou submetida a algum tipo de humilhação, relação, desconforto ou outra questão.

Frequentemente, as agressões não ocorrem de imediato, mas sim os comentários negativos sobre a mulher (profissionalmente, fisicamente ou outro), culpa, imposições e, se existir algum suporte, a tentativa de desmerecimento. Como dizer que tal amiga está dando em cima dele ou que aquele familiar quer “acabar com a relação”.

A recomendação é buscar uma rede de apoio para conversar abertamente sobre o tema, sem medo ou julgamentos, bem como fazer terapia. Com isso, você passa a se conhecer melhor, define seus limites, entende melhor as atitudes dos demais e evita pessoas que possam lhe causar algum mal no futuro.

Como buscar/ofertar ajuda?

A busca por ajuda é variada e, dependendo do tipo de violência, há alguns cuidados a serem tomados.

No geral, a recomendação é buscar uma rede de apoio, sair do local onde o agressor fica/está e fazer um Boletim de Ocorrência. Além disso, denuncie nos órgãos competentes (Ligue 180), inclusive para sanar dúvidas. Há agressores que voltam para a fase “lua de mel” quando são denunciados ou quando você começa a questionar suas ações. Nessas situações, é essencial que não volte para a relação e se fortaleça cada vez mais. 

Como muitos agressores voltam para a fase de “lua de mel” quando são denunciados, é essencial que você não volte para ele e, para isso, precisa de um grupo de ajuda forte.

Além disso, o passo essencial é fortalecer a sua autoestima, para preservar o seu bem-estar físico, emocional e mental.

Se conhece alguém que está passando por isso, além da denúncia, dedique um tempo para ouvir essa mulher, comece conversas livre de julgamentos, acredite naquilo que dizem, valide os sentimentos dela e ofereça ajuda, de quaisquer tipos.

Muitas vezes, essas mulheres se sentem sozinhas, sem qualquer tipo de suporte ou lugar “para correr”. Então, é preciso fornecer essa segurança, principalmente quando elas moram com o agressor.

Enfim, aqui focamos em auxiliar você, onde estiver e online, a ter a ajuda que precisa. Para saber mais, confira o Blog Fepo ou tire suas dúvidas através do nosso WhatsApp.

Felipe Laccelva

Felipe Laccelva

Psicólogo formado há mais de dez anos, fundador e CEO da Fepo. Fascinado pela Abordagem Centrada na Pessoa, que tem a empatia como eixo central para transformar o ser humano. Sempre buscou levar a psicologia para mais pessoas e dessa forma criar um mundo mais saudável e acolhedor.

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